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Contra crise do coronavírus, governo estuda antecipar restituição do IR

17/03/2020

No pacote de medidas para suavizar os impactos do coronavírus na economia, o governo avalia antecipar a restituição do IR (Imposto de Renda) de pessoa física neste ano. Isso liberaria mais dinheiro à população num período que deve ser de baixa atividade econômica.

 

Para aliviar o caixa de empresas, está em estudo também o adiamento do prazo para pagamento de alguns tributos.

 

Ações para conter a expansão do vírus devem reduzir a atividade econômica do país e, consequentemente, a arrecadação federal. A equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) tem apresentado ideias para estimular a economia e tentar reduzir os prejuízos a empresas.

 

Por enquanto, as medidas priorizadas não elevam os gastos públicos previstos para o ano, pois o governo ainda precisará ajustar o Orçamento e a meta fiscal deste ano diante do impacto da pandemia, especialmente na queda das receitas.

 

A proposta de antecipar a restituição do IR é uma tentativa de dar fôlego para a economia a partir de maio, quando está prevista a liberação do primeiro lote de ressarcimento.

 

Isso seria uma alteração de programação de despesas, sem ampliar a previsão de gastos no ano.

 

O assunto ainda está em discussão por técnicos do governo. Integrantes da Receita Federal dizem que o órgão já analisa as declarações em velocidade superior ao pagamento das restituições, cujo calendário é definido com base no fluxo de recursos do Tesouro.

 

Outra mudança de calendário é estudada para aliviar a situação de empresas cujas atividades devem ser fortemente impactadas pelo surto do Covid-19.

 

 

O Ministério da Economia pediu à Receita Federal um levantamento sobre o adiamento de prazos para pagamento de tributos. A ideia, por ora, é que os patrões paguem os impostos atrasados ainda neste ano para não afetar ainda mais a arrecadação federal.

 

O governo ainda não bateu o martelo sobre quais tributos podem ser adiados, mas uma possibilidade é a contribuição previdenciária.

 

Ainda está em estudo se os incentivos serão a alguns setores específicos ou se serão mais amplos. Desde a semana passada, o governo prepara medidas para as empresas aéreas, que sofrem com o cancelamento de voos e queda de demanda.

 

Técnicos ainda fazem os cálculos para saber quais ações são viáveis diante do cenário de aperto fiscal.

 

A restrição orçamentária é o principal entrave para a liberação de medidas que minimizem os efeitos da crise. Já está no radar do governo a ideia de pedir ao Congresso autorização para ampliar o rombo fiscal deste ano.

 

Ainda não está definido se o governo enviará uma nova proposta com o pedido de ampliação da meda, hoje em déficit de R$ 124,1 bilhões, ou se aproveitará um texto que já tramita no Legislativo, com objetivo de agilizar a aprovação.

 

De qualquer maneira, técnicos da área econômica afirmam que não será possível mudar a meta a tempo de criar uma folga no Orçamento até esta sexta-feira (22), quando o governo anunciará um bloqueio de recursos de ministérios.

 

Vão pesar nas contas a revisão para baixo da projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano e a provável retirada do Orçamento da privatização da Eletrobras.

 

A eventual criação de novos benefícios tributários ou liberação de novos créditos extraordinários sem compensação impactará as contas do governo e pode pressionar a próxima reavaliação fiscal, prevista para maio.

 

O governo estuda ainda regras especiais para liberar auxílio doença para trabalhadores contaminados pelo novo coronavírus.

 

Esse benefício depende de perícia médica. Técnicos querem flexibilizar essa fase para tentar conter a expansão do covid-19, pois a perícia pressupõe contato com pessoas infectadas.

 

No entanto, há dúvidas se é possível dispensar todos de uma perícia, já que não se sabe se o Ministério da Saúde terá a capacidade de testar todos os casos suspeitos e, portanto, o governo precisaria encontrar uma outra forma de comprovação para conceder o auxílio-doença em caso confirmado de coronavírus.

 

Fonte: O TEMPO

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