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Seis meses após a reforma, mercado de trabalho ainda não consegue reagir

02/07/2018

Dados referentes a maio mostram que seis meses após o presidente Michel Temer afirmar que a reforma trabalhista ampliaria os horizontes para o emprego, o quadro no mercado de trabalho ainda é desolador.

 

Pesquisa divulgada na sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que o desemprego no país atingiu 12,7% no trimestre encerrado em maio, ou 13,2 milhões de desocupados.

 

Os números revelam estabilidade em relação aos três meses encerrados em fevereiro e queda de 0,6% na comparação com igual período de 2017.

 

Comparada ao piso registrado no fim de 2014, no entanto, a taxa de desemprego não só dobrou, como patina em um nível bastante alto e só não é maior em razão das vagas geradas no mercado informal.

 

Quando o foco são vagas com carteira assinada, o país perdeu quase quatro milhões de postos desde o teto em 2014, chegando ao menor nível da série iniciada em 2012.

Para completar, o grupo dos que estão fora da força de trabalho —os que têm idade para trabalhar mas, por alguma razão, deixaram de procurar emprego— ganhou cinco milhões de pessoas desde 2012, também um recorde.

 

Combinado ao cenário econômico letárgico, o número indica que o que está fazendo as pessoas deixarem de procurar emprego não é, como em outros tempos, uma maior dedicação dos jovens ao estudo ou uma melhor situação do chefe a família, mas algo alarmante: o desalento.

 

Especialistas dizem que é cedo para falar de possíveis efeitos da reforma trabalhista sobre o mercado de trabalho, mas admitem que o quadro geral é preocupante.

 

"Os números recentes me deixaram mais pessimista com o mercado de trabalho, que está sintonia com o que ocorre com a atividade econômica como um todo", diz Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getulio Vargas. Para ele, efeitos positivos da reforma trabalhista podem demorar ainda a aparecer, em especial por questões jurídicas.

 

Thiago Xavier, economista da consultoria Tendências, diz que, desde o segundo trimestre do ano passado, os dados dessazonalizados (que excluem efeitos mensais atípicos), apontavam para uma clara recuperação do mercado de trabalho, o que parece ter mudado nos últimos meses.

 

"O processo de reação tem perdido força, muito conectado aos efeitos da desaceleração da economia sobre a indústria e os serviços, setores fundamentais para a geração de vagas", diz ele.

 

Segundo Everton Carneiro, da RC Consultores, para que o país retome o nível de postos com carteira registrado nos melhores momentos vai ser preciso ao menos dois anos de crescimento econômico consistente, entre 3% e 4%.

 

"É improvável que o país retome o nível de ocupação de 2013 e 2014 no próximo ano. Isso demandaria um crescimento extraordinário do PIB."

 

No geral, os analistas dizem que o cenário para o emprego no país segue tendência semelhante à observada ao longo de 2017, quando houve queda na taxa de desemprego na esteira do aumento de trabalhos informais.

 

Carneiro diz que, apesar de a taxa de desemprego estar um pouco abaixo do ano passado, a sensação é que há uma espécie de acomodação do mercado em níveis ruins. Além disso, a renda do trabalhador permaneceu estagnada no último ano, num movimento que se retroalimenta.

 

Em resumo, diz, a não geração de novas vagas formais tem impacto direto no consumo das famílias e numa potencial reativação da economia.

 

Fonte: Folha de São Paulo

 

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